Yamas e Nyamas

Olás,

Em nossos encontros citei os Yamas e Niyamas, que são os preceitos éticos do Yoga e nos orientam tanto para a prática no tapete quanto para a vida.

Ética é diferente de moral. A moral pode mudar de acordo com os valores da sociedade e da época. Já a ética é um princípio, imutável, não depende de condições externas e sim de nossa natureza.

 

“Yoga nos exercita a nos manter longe de motivações egoístas e grosseiras
e mostra como cumprir nossas responsabilidades.

É como um eixo a partir do qual nos educamos para realizar uma transformação interna, trocando os prazeres comodistas pela emancipação, a servidão pelo mundo da liberdade do Eu,
a evolução ao poder do conhecimento pela involução rumo à sabedoria do coração e da Alma.

Este esforço para o aprimoramento é o início da verdadeira religiosidade e o fim da religião como seita ou rígido padrão de crença. Espiritualidade não é encenar o papel de sermos sagrados, mas a paixão e o anseio internos de auto-realização e a necessidade de encontrar o derradeiro propósito da existência.”

B.K.S. Iyengar.

Yama significa refreamentos, é o cultivo do que é positivo em nós. E Niyama a purificação de si mesmo.

São 5 os Yamas e 5 os Niyamas.

 

YAMAS E NIYAMAS NA VIDA, POR SIMON BORG 

“YAMA para mim é praticar o viver de forma gentil, balanceada, ofertando sustento e liberdade.

Gentilmente é Ahimsa (não violência), balanceado é Satya (verdade). Oferecer (oposto de tomar) é Asteya (não roubar). E Brahmacharya (celibato, jejum, renúncia) significa não significa “não fazer amor” mas, em vez disso, nutrir relações. E Aparigraha (desapego) significa ser livre.

NYAMA significa para mim, o apaixonado, à procura de remover os obstáculos da felicidade e da conexão amorosa.

Saucha (pureza) é limpar ou, para mim, é remover os obstáculos que bloqueiam o movimento de energia dentro de nós. Nós precisamos de menos tensão, forçar menos ou fazer nosso corpo se mover com mais balanço. Respirar menos: Fitness é quando você aprende a fazer coisas enquanto respira menos. Fazer mais coisas enquanto respira menos. Pensar menos. Concentração. Mais foco.

Santosha (contentamento) é a escolha de se sentir como você quer se sentir. Santosha é a escolha de ser feliz, não esperar para ser feliz. De reconhecer que a felicidade não é algo pelo qual você espera mas, em vez disso, é algo que você escolhe. E você pode escolher a angústia também. Mas a felicidade é uma boa escolha, se você a quiser.

Tapas (austeridade) não é apenas a árdua austeridade. É mas o fervor, o desejo, o apaixonado desejo de fazer o seu melhor.

Svadhyaya (autoestudo) não é apenas o estudo, mas o estudo interno. O estudo de si mesmo, encontre para que você está aqui. Por que estamos aqui, quem nós somos, porque somos o que somos…

Ishvara Pranidhana (entrega a Deus) não é apenas devoção a algo exterior, mas o reconhecimento de que estamos todos conectados. Conectados como uma mãe e um filho apaixonados. Então, a meu ver, é o devoto reconhecimento, o reconhecimento de que vivemos em um oceano de amor.”

 

YAMAS E NIYAMAS NA PRÁTICA NO TAPETE DE YOGA, por Sandra Anderson 

“Ahimsa tratar-se com bondade e consideração. Ver o mundo sem animosidade começa em você, no seu corpo; evitar desconforto físico e mental na postura; evitar passar dos seus limites;

Satya praticar a verdade e não recursar-se a ver suas limitações; usar um acessório é ser verdadeiro e honesto consigo;

Asteya não tentar imitar o outro, não apropriar-se indevidamente do que não é você ou seu;

Aparigraha – praticar com contenção e foco, deixar a essência da pose direcionar, não matar o instinto do corpo pela pose;

Brahmacharya – relaxando na postura e seguindo a respiração, através do corpo a mente se torna mais sensível aos níveis sutis de energia, focando-a para dentro, indo em direção à Brahmam, a realidade última, nosso Self. O verdadeiro prazer na prática surge com a crescente consciência interior, a mente exterior é entediada, sempre querendo e esperando mais;

Saucha – limpeza, purificação. Corpo limpo por dentro e por fora; físico e mental; progredindo na prática a auto-consciência aumenta; dieta faz diferença; pensamentos perturbadores criam ambiente sujo.

Santosha – contentamento, plenitude da experiência e gratidão por ela; deixe cair o julgamento e o apego por resultados, àsana é firmeza e facilidade;

Tapas – disciplina, calor; manter suas intenções em mente, praticando contentamento, veracidade e não violência e assim abraçar o fogo, para que os desafios sejam interessantes; menor resistência configurando modelo mental e físico;

Svadhyaya – auto-estudo, oportunidade para se tornar consciente do seu corpo e sentimentos; estudar suas restrições; explorar; experimentar; entender sua natureza, seu EU Maior colocará sua prática em perspectiva e essa mudança de intenção na prática faz os obstáculos desaparecerem;

Ishvara Pranidhana – em àsana trazemos corpo, respiração e consciência em harmonia, entregando nosso limitado senso de ser, ideias de como a postura deve ser, como devemos nos sentir e o que vai acontecer.

Novos hábitos no corpo e na mente não se manifestam em uma única sessão; requer persistência e consistência na prática, bem como trabalhar suavemente, mas com mente e corpo focados. Deixe yamas e niyamas guiar sua atitude na prática e mover todo o seu ser em direção ao objetivo final do Yoga.”

 

Namaste!
Jana